 |
Emily Briggs's Friends
|
1,000 Chinese Youth Educating People About the Environment
|
The United Nations and China have started a program this summer that will employ 1,000 youth to talk about the environment. The youth will teach people how to be more conscious about the environment and what individuals can do to protect it.
Through a new training program called “One Thousand Environment-Friendly Youth Ambassadors Action,” eight Chinese ministries, along with the UNDP, hope to educate 1 million people about the actions they can take to preserve the environment and limit climate change.
The program started last month with training for 1,000 high school and college students in Beijing (north China), Shanghai (east), Xi’an (northwest), Chengdu (southwest) and Guangzhou (south).
Each young ambassador is expected to train another 1,000 people, hence one million people around the nation will be informed of professional environmental knowledge. The program is sponsored by the national Center for Environmental Education and Communication, China Environmental Awareness Program, Ministry of Environmental Protection, UNDP and Johnson Controls.
|
|
|
|
 |
|
Six Archetypes of Youth Change Makers
|
Since the founding of TakingITGlobal in 1999, I have been incredibly inspired by my interactions with thousands of young change makers from all around the world. Through my Masters Research on youth-led action in an international context along with exposure to other studies and international conferences examining the role of today's generation of youth as change agents, I have gained an important observation. My observation is that I have seen the emergence of Six Archetypes of Youth Change Makers, which provide a glance at the roles young people are taking on in the process of creating change.
The Dreamer
The Dreamer is the driver behind new ideas. Dreamers are often the first to articulate a long-term vision for the future and think big. It is the sense of aspiration, optimism and imagination of dreamers that drive progress, innovation and change.
The Megaphone
The Megaphone is a vocal advocate for change. Megaphones are very focused on delivering the message and will campaign tirelessly and work hard to lobby for a message to be heard. They inspire action through their words and help to shift priorities on the agenda.
The Spark Plug
The Spark Plug is a catalyst and has a gift for networking and connecting people. The Spark Plug is able to foster collaborations and bring many different organizations and individuals together in dialogue, convincing diverse interest groups to come together for a common goal.
The Task Master
The Task Master is often behind the scenes making things happen and is sometimes the under-rated player within a group or organization. Often, it is the Task Master who literally keeps things together by turning ideas into manageable tasks with actionable timelines. Task Masters are practical, objective-oriented individuals.
The Sherpa
The Sherpa serves as a guide who provides mentorship, insight and training through peer education. Sherpas are natural educators with a strong interest in learning and sharing knowledge. Sherpas value hands on experiences and are able to draw upon the expertise and resources of those they encounter.
The Storyteller
The Storyteller is often the documenter of an organization and its projects, preparing short stories, interviews, blogs, webcasts newsletters and more. Storytellers become a vehicle for spreading inspiration and sharing of best practices through identifying patterns and strengthening movements through recognizing exceptional individuals.
|
|
|
|
 |
|
Governo brasileiro concede anistia a estrangeiros que vivem ilegalmente no Brasil
|
Fabiana Uchinaka
Do UOL Notícias, Em São Paulo
Cerca de 50 mil estrangeiros que vivem irregularmente no Brasil há alguns anos poderão ser anistiados a partir desta quinta-feira (2). O Projeto de Lei 1664, que foi aprovado no Congresso em junho e sancionado hoje pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, beneficia os imigrantes que entraram no país até 1º de fevereiro de 2009 e vale tanto para quem chegou legalmente, mas ficou por período maior que o concedido no visto de entrada, quanto para quem cruzou a fronteira na clandestinidade.
Durante a cerimônia, o presidente também assinou o encaminhamento ao Congresso do projeto para uma nova lei de estrangeiros, que deve substituir a legislação vigente, de 1980. O Ministério da Justiça lançou ainda a eCertidão, que permitirá a expedição via internet de certidões negativas de naturalização e agilizará as consultas, que antes levavam anos.
Segundo o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, o objetivo da regularização é trazer para a legalidade e garantir cidadania para essas pessoas, que vivem em condições precárias, são vítimas de tráfico humano e, muitas vezes, acabam em trabalho escravo ou degradante, sem qualquer assistência.
A resolução, pleiteada há anos por grupos ligados aos Direitos Humanos e aos segmentos afetados, contribui para que os imigrantes tenham acesso ao mercado de trabalho com as mesmas garantias legais dos brasileiros: carteira assinada, saúde pública, educação gratuita, acesso ao sistema bancário e ao crédito e o direito de ir e vir dentro do território.
"A anistia significa ter documento de identidade, carteira de trabalho, direitos trabalhistas -- trabalho de oito horas, hora extra, férias e salário maior que o mínimo vital. E, caso isso não seja cumprido, significa poder ir à Justiça. Significa também acesso a escola pública, carteira de motorista, conta bancária, CPF. Significa poder abrir uma empresa. Significa se sentir uma pessoa dentro do Brasil e isso é tudo", resume o advogado Grover Calderón, presidente da Associação Nacional de Estrangeiros e Imigrantes no Brasil (ANEIB).
Esta é a quarta vez que o Brasil concede o benefício a estrangeiros que já moram no país - houve anistias em 1980, 1988 e na última, em 1998, quase 40 mil pessoas foram legalizadas.
O principal objetivo da medida é conseguir tirar os imigrantes de situações de trabalho abusivas, mas, desta vez, a proposta do governo brasileiro também embute uma intenção de marcar posição diante das últimas polêmicas envolvendo imigrantes brasileiros maltratados e detidos no exterior.Anistia: procedimentos
1. Entrar com o pedido de residência provisória em até 180, na Polícia Federal
2. Apresentar comprovante de entrada
no país (ou, para os clandestinos, algum documento que comprove que a pessoa mora no Brasil)
3. Apresentar uma declaração de que não responde a processo criminal ou de que
não tenha sido condenado criminalmente, no Brasil ou no exterior
4. Pagar a taxa para expedição da Carteira de Identidade de Estrangeiro (R$ 31,05) e
a taxa de registro (R$ 64,68)
O secretário Tuma Júnior explica: "Ao contrário dos países da Europa e dos Estados Unidos, queremos dar um tratamento completo, mostrar que não aceitamos a criminalização da imigração e que ela deve ser vista como uma questão humanitária, uma irregularidade, não um crime. É uma resposta direta a esses países".
Como proceder
Com a anistia, o estrangeiro irregular tem 180 dias (a partir da publicação da lei) para entrar com pedido de residência provisória, que vale por dois anos, sem que qualquer represália seja aplicada ou multa cobrada por conta da situação de ilegalidade. Normalmente, o estrangeiro só recebe o visto quando casa com um brasileiro, tem um filho brasileiro ou quando tem pais brasileiros.
Os interessados na regularização devem ir a uma delegacia da Polícia Federal, como acontece para a retirada de passaporte, e apresentar um comprovante de entrada no país (ou, para os clandestinos, algum documento que comprove que a pessoa mora no Brasil, como documentos médicos, comprovante de aluguel, etc.), e uma declaração de que não responde a processo criminal ou de que não tenha sido condenado criminalmente, no Brasil ou no exterior.
A taxa para expedição da Carteira de Identidade de Estrangeiro (CEI) será de R$ 31,05 e a taxa de registro será de R$ 64,68.
Três meses antes do fim da validade do registro provisório, o estrangeiro poderá requerer o visto permanente, conforme regulamento a ser definido pelo governo. Para isso, precisará comprovar também profissão ou emprego lícito, bens suficientes para a sua manutenção e de sua família, ausência de dívidas fiscais ou antecedentes criminais e não ter saído do país por mais de 90 dias consecutivos durante o período de residência provisória.
Taxas altas e medo de extradição
Apesar de esperarem ansiosas pelo benefício, as entidades que representam os imigrantes temem que as altas taxas, que juntas somam quase R$ 100, a necessidade de documentos que comprovem emprego, que impede que os explorados sejam beneficiados, e a falta de divulgação entre as pessoas que têm pouco acesso à informação virem um entrave para o sucesso da anistia.
"Quem está sendo explorado, que tem quatro ou cinco filhos, não tem condições de pagar a taxa, que é por pessoa. Só os empresários têm. Se não mudarem isso, só vão beneficiar os patrões", ressalta o diretor de migração do Centro de Apoio ao Migrante, Paulo Ylles. O Ministério da Justiça diz que, por enquanto, não haverá qualquer tipo de isenção das taxas.
Rosita Milesi, do Instituto Migrações e Direitos Humanos, conta que na primeira anistia (1980) houve confusão nas informações sobre o registro provisório e muitos estrangeiros irregulares que se apresentaram à Polícia Federal foram autuados com multa e notificados a deixarem o país. O medo de uma "armadilha" também impede que os ilegais façam uso da anistia.
O secretário Tuma Júnior explica que "as pessoas têm medo, por estarem irregulares, de serem mandadas de volta ou punidas, têm medo de enfrentar os patrões, que criam empecilhos para o registro dos imigrantes. Agora elas terão fôlego para denunciar situações de abuso". Segundo ele, a taxa cobrada para emissão de carteira de identidade é obrigatória por lei para qualquer estrangeiro, mas o projeto de anistia prevê que apenas 25% se aplique neste momento, ou seja, cerca de R$ 100.
Outro ponto criticado por Ylles é a demora no processo de regularização. "Desejamos que a anistia aconteça com mais agilidade, porque, antigamente, a entrega dos documentos chegava a demorar mais de dois anos", conta.
|
|
|
|
 |
|
Montreal Movers Use Only Bikes
|
Here’s a novel idea: move all your belongings only using a bike. You can do it regardless of where you live, but in Montreal you can hire someone else to do the hard work for you. Transport Myette is a new moving company in Montreal that uses only bikes.
Myette boasts that his fledgling moving company, Transport Myette, will tow just about anything that can be stacked on his modified bike trailers.
“Pretty much anything, except for pianos, of course,” he said Tuesday at a job, where he and two of his employees carefully pieced together – with the help of duct tape and straps – intricate piles of large household items, including a mattress, a stove and a fridge onto the flatbeds.
The Montreal resident’s inspiration to launch the bike-moving business came while surfing the Internet last summer. Myette stumbled upon the website of an American company that sold mini-trailers.
Up until then, he had been working for a moving company that used a truck.
“I’ve always been a cyclist, I’ve always cared about the environment, so it just seemed natural to me to combine the two,” said Myette, who bought his first custom trailer last fall for $1,000 and now owns three.
Workers pull the trailers with standard mountain bikes equipped with powerful hydraulic disc brakes – for the steep descents.
Outside of peak periods, Transport Myette charges just $25 an hour for one worker with a trailer, $35 an hour for two workers and two trailers and $50 an hour for three of each.
|
|
|
Mind Uploading and Mind Children | h+ Magazine
|
There are two major questions surrounding the concept of mind uploading. There is the question of feasibility: Can we build a model of a brain complete enough to allow a conscious mind to emerge? The other question is concerned with identity.
|
|
|
|
 |
|
|
 |
|
Brasileiras lideram lista do tráfico humano em Portugal
|
Os casos de tráfico de seres humanos em Portugal, na maioria, são jovens mulheres que se dedicam à prostituição e são provenientes do Brasil e da Nigéria, disse nesta quarta-feira à Agência Lusa o novo diretor do Observatório do Tráfico de Seres Humanos, que estuda o fenômeno.
Paulo Machado, que hoje tomou posse como novo chefe de equipe do Observatório, adiantou que o fenômeno em Portugal relaciona-se, essencialmente, com exploração sexual e as vítimas são, na maioria, mulheres estrangeiras com idades entre os 20 e os 35 anos.
Segundo ele, as mulheres são provenientes de África, América do Sul e Leste Europeu. Porém, a maioria tem nacionalidade brasileira e nigeriana que chega a Portugal por transporte aéreo através de outros países europeus.
Estas são algumas das conclusões de um relatório que o Observatório do Tráfico de Seres humanos está elaborando desde 2008 e que em "breve será divulgado".
De acordo com Paulo Machado, os casos de tráfico de seres humanos foram sinalizados pelas polícias de investigação criminal, principalmente SEF, PSP e GNR.
Após serem sinalizadas, as vítimas são acompanhadas através de uma rede de apoio e proteção, constituída essencialmente por organizações não governamentais (ONG).
O Observatório do Tráfico de Seres Humanos, cuja criação foi aprovada pelo governo português em outubro ao ano passado, tem por missão recolher, tratar e difundir informação sobre tráfico de pessoas e formas diversas de violência de gênero.
Paulo Machado, que desempenhava funções de consultor na Direção-Geral da Administração Interna, explicou que o Observatório tem como funções a promoção do conhecimento do fenômeno de tráfico de seres humanos através da realização de estudos, a atividade de sinalização das vítimas através do secretário-geral do Sistema de Segurança Interna e das forças de segurança e "porta-voz" no exterior.
Fonte: Lusa
|
|
|
Livro relata experiências com juventudes do Nordeste
|
A Fundação W. K. Kellogg e a Editora Peirópolis lançam hoje, no Rio de Janeiro (RJ), a obra “Apoio internacional ao desenvolvimento local - Experiências sociais com juventudes no Nordeste”, organizado pela antropóloga Leilah Landim e pela jornalista Maria Carolina Trevisan.
O livro analisa, por meio de artigos de consultores vindos de diferentes trajetórias, especialidades e enfoques, as práticas envolvidas na construção de um conjunto articulado de projetos no Nordeste brasileiro, financiados pela Fundação W. K. Kellogg.
Os artigos trazem reflexões sobre dilemas e responsabilidades, acertos e erros, indagações e resultados do trabalho realizado. Os relatos estão baseados na experiência vivida por consultores e especialistas que atuaram junto às comunidades locais e seus atores, o que possibilita ter uma compreensão realista dos processos coletivos de ação social.
Fonte: Rede GIFE
|
|
|
|
 |
|
Notícias, pesquisas e boas práticas no blog Educação do Instituto Votorantim
|
O Instituto Votorantim lançou o Blog Educação (www.blogeducaçao.org.br) com o objetivo principal de fomentar a mobilização local sobre o tema em diversas cidades do País. A ferramenta inédita vai permitir ainda o acompanhamento do Projeto Parceria Votorantim Pela Educação, lançado em 20 de maio, pelo instituto.
No endereço eletrônico, os internautas poderão encontrar matérias sobre educação, artigos, pesquisas e exemplos de iniciativas de sucesso realizadas nos municípios participantes do projeto.
O Blog complementa a agenda positiva do Projeto, que tem o objetivo de qualificar a demanda pela melhoria da educação pública em 88 cidades de 18 Estados brasileiros, em parceria com representantes de diversos setores da sociedade. A iniciativa prevê, ainda, a realização de oficinas de capacitação e reuniões com funcionários mobilizadores e agentes locais das regiões impactadas. Além destas ações, serão realizados encontros com o poder público e campanhas de comunicação, de acordo com as características e peculiaridades de cada município.
Segundo Lárcio Benedetti, gerente de Desenvolvimento Sociocultural do Instituto Votorantim, este canal é um dos eixos estratégicos do projeto e será a principal ferramenta para disseminação de conteúdo e debate de assuntos ligados à educação. “O Blog da Educação representa o Projeto Parceria Votorantim pela Educação no meio digital. O objetivo é utilizar a rede social para estimular a discussão de idéias e estabelecer a comunicação direta com agentes locais.
Fonte: Onda Jovem.
|
|
|
|
 |
|
Jovens têm qualificação de menos para o mundo do trabalho
|
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2007 mostram que são restritas as oportunidades profissionais para os jovens brasileiros. Eles representam cerca de 63% do total de desempregados no país. Enquanto a taxa de desemprego entre os adultos é de 4,8%, entre os jovens ela chega a 14%, de acordo com análise da Pnad realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Em termos mundiais, o quadro não é diferente. O relatório Panorama Laboral 2008, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), mostra que, no ano passado, a taxa de desemprego juvenil foi 2,2 vezes maior que a taxa de desocupação total.
"Os jovens têm menos experiência, o que dificulta a sua entrada no mercado", diz Marcelo Neri, economista-chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas. "O mais preocupante é a falta da formação e da qualificação necessárias para que o jovem cresça profissionalmente."
De fato, as estatísticas mostram que o sistema educacional brasileiro não tem conseguido dar conta da sua tarefa de oferecer uma formação completa aos estudantes brasileiros. A Pnad 2007 revela que, dos 82,1% dos adolescentes entre 15 e 17 anos que frequentam a escola hoje, 44% não concluíram nem o ensino fundamental. Apenas 48% cursavam o ensino médio, o nível que seria adequado a essa faixa etária. Do grupo de jovens de 18 a 24 anos, apenas 13% estão no ensino superior - e sua taxa de escolarização vem caindo nos últimos anos. Segundo a Pnad, passou de 34% em 2003 para 30,9% em 2007.
Desinteresse pela escola
Além de poucos estudantes conseguirem chegar até o ensino médio, muitos acabam por deixar a escola antes de completar seus estudos. A taxa de abandono nessa etapa é de 13,2%, segundo o Ministério da Educação. E, embora aproximadamente um terço dos jovens viva em famílias consideradas pobres, segundo o Ipea, o abandono dos estudos não se dá por falta de condições financeiras. De acordo com o estudo Motivos da Evasão Escolar, coordenado por Neri e que leva em conta as informações dos microdados dos Suplementos de Educação da Pnad, a principal razão é a falta de interesse dos estudantes pela escola - 40,3% das respostas. A necessidade de trabalhar aparece em segundo lugar, com 27,1%.
"O jovem não está conseguindo enxergar a educação como um instrumento para melhorar sua vida e que o ensino fundamental é apenas o mínimo para conseguir um trabalho", aponta Wanda Engel, superintendente-executiva do Instituto Unibanco, um dos apoiadores do estudo. "Na sociedade do conhecimento em que vivemos, é fundamental ter no mínimo onze anos de estudo para ter acesso a melhores oportunidades", completa. Os números mostram o impacto que a escolaridade tem sobre a renda e a empregabilidade das pessoas. Segundo Neri, a renda média de quem completa o ensino médio salta de R$ 700 para R$ 1.600, ou seja, mais que duplica. Já a taxa de ocupação passa de 68% para 78%.
Outro efeito da falta de qualificação é a precarização das condições de trabalho. De acordo com o relatório Jovens em Situação de Risco no Brasil, publicado pelo Banco Mundial em 2007, quase 60% dos brasileiros entre 15 e 19 anos são trabalhadores não remunerados ou sem carteira de trabalho assinada. Entre o grupo de 20 a 24 anos, o número cai para cerca de 33%.
Para especialistas em educação, a mudança desse quadro passa necessariamente pelo estabelecimento de políticas públicas voltadas para essa população. "Temos um diagnóstico bem claro da situação dos jovens brasileiros, mas ainda não atuamos de forma consistente para melhorá-la", afirma Maria do Carmo Brant de Carvalho, superintendente do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec). Na sua opinião, além de programas de correção de fluxo - que permitam ao jovem aprender de forma rápida os conteúdos necessários para acompanhar o ensino médio, que não obteve por conta da baixa qualidade do ensino fundamental-, é importante uma política de oferta de atividades socioculturais para ampliar suas habilidades de comunicação e relacionamento. "Não adianta apenas oferecer capacitação profissional ou oportunidades de trabalho, porque, sem uma formação escolar e sociocultural densa, o jovem pode até entrar no mercado, mas acaba não conseguindo se manter e evoluir", explica.
Diretamente atingido pela falta de qualificação de mão-de-obra, o setor privado tem investido em diferentes iniciativas voltadas para a melhoria da educação e da capacitação de jovens entre 15 e 24 anos.
No caso da Basf, que há 27 anos mantém o Projeto Crescer, para profissionalização e educação de adolescentes de baixa renda em São Bernardo do Campo e Guaratinguetá (SP), há mudanças recentes. A cada ano, o programa atende cerca de 120 adolescentes entre 15 e 21 anos, oferecendo bolsas de estudo para cursos técnicos profissionalizantes de nível médio e atividades culturais e de preparação para o exercício da cidadania. Em 2008, de olho nas mudanças do mercado de trabalho, o programa passou a dar ênfase em empreendedorismo. "Só a capacitação técnica não é mais suficiente para garantir um emprego hoje", diz Gislaine Rossetti, diretora de comunicação social da Basf.
O Programa Futuro em Nossas Mãos é mantido pela Votorantim Cimentos com apoio do Instituto Votorantim. Desde o seu início, em 2003, já formou como pedreiros mais de 9 mil jovens de 18 a 29 anos. Além de receber formação básica para atuar como assentadores e revestidores de alvenaria, os jovens aprendem a se relacionar com outros profissionais da construção civil, além de desenvolver habilidades de gestão e empreendedorismo. "Também procuramos assegurar o primeiro emprego para esses jovens profissionais. E temos tido resultado: cerca de 70% deles conseguem ser contratados no primeiro mês após o curso", afirma Marcelo Chamma, diretor comercial da Votorantim Cimentos e responsável pelo programa.
A Microsoft Brasil mantém o Programa Students to Business (S2B), com treinamento para estudantes dos ensinos médio técnico e para universitários em tecnologias específicas para a área de desenvolvimento de software e de infraestrutura de TI. "O programa foi criado por solicitação do próprio mercado de TI, que tem muita dificuldade em encontrar profissionais qualificados. Ajudamos as duas pontas: os jovens, a encontrar trabalho; e nossos parceiros e clientes, a preencher suas vagas de emprego", conta Amintas Neto, gerente de novas tecnologias e plataformas para o setor acadêmico da Microsoft Brasil. Segundo a empresa, dos 20 mil participantes da última edição do programa, 1.300 foram contratados logo após o término do curso.
Já o Formare, embora tenha nascido como iniciativa interna da Iochpe-Maxion há 21 anos, tornou-se uma franquia social. Cerca de 52 empresas em todo o Brasil mantêm hoje escolas Formare em suas unidades, com apoio da Fundação Iochpe, oferecendo cursos de educação profissional em período integral para jovens de famílias de baixa renda com idade entre 15 e 17 anos.
Além de receber uma formação específica ligada aos negócios da empresa que oferece o curso, com certificado emitido por uma instituição federal de ensino tecnológico, os alunos têm aulas de comunicabilidade, trabalho em equipe, solução de problemas, visão de futuro e cidadania, que os preparam para atuar em qualquer setor. "Cerca de 85% dos alunos do Formare foram absorvidos pelo mercado de trabalho após o curso, em 2007. Além disso, esses jovens melhoraram seu desempenho na escola, tiveram mais oportunidades de ascensão profissional e aumentaram sua renda", conta Beth Callia, coordenadora do programa na Fundação Iochpe.
A Fundação Itaú Social, por sua vez, aposta em um modelo diferente para ampliar as perspectivas de futuro dos jovens. Em vez de oferecer capacitação técnica para o mercado, o Programa Jovens Urbanos oferece um conjunto de ações de formação para jovens de 16 a 21 anos moradores das periferias de grandes cidades, com o objetivo de facilitar o acesso aos recursos culturais, profissionais e de geração de renda que esses centros oferecem, mas dos quais estão excluídos. "Sem usufruir desses recursos, os jovens acabam ficando com um repertório cultural e de comunicação empobrecido, o que diminui suas oportunidades de trabalho, gerando um círculo vicioso de exclusão e pobreza", afirma Isabel Santana, gerente de projetos sociais da Fundação Itaú Social. Para estimular sua participação no programa, bem como sua permanência na escola e a conclusão dos estudos, os jovens recebem um benefício financeiro, concedido por meio de programas oficiais de transferência de renda.
De acordo com Isabel Santana, os jovens que passaram pelo programa alcançam renda pessoal 60% maior do que um grupo não participante com as mesmas características socioeconômicas. Eles também têm mais oportunidades de emprego.
Fonte: Valor Econômico
|
|
|
|
 |
|
Estudo mostra que identidade juvenil não é homogênea
|
A pesquisa "Juventudes Sul-americanas: diálogos para a construção de uma democracia regional" chega ao fim. O levantamento, dividido em três fases, envolveu jovens e pesquisadores(as) de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai. A coordenadora regional, Regina Novaes, fala à Agência Ibase sobre a importância da pesquisa e faz uma breve análise dos principais resultados.
Ibase - Qual a importância da pesquisa e de que forma incide nas políticas públicas de cada país?
Regina Novaes - A pesquisa é inédita porque usa os mesmos roteiros - para analisar situações de jovens e fazer discussões em grupos focais - em cada país com uma dimensão regional; porque aplica um mesmo questionário de 50 perguntas, ao mesmo tempo, nos seis países; e também porque escuta jovens e adultos sobre os temas e questões dos jovens. Por tudo isso, creio que estamos contribuindo para um maior conhecimento sobre as juventudes de cada país. Assim, aumenta as chances de políticas públicas mais bem desenhadas e eficazes.
Quais as principais contribuições de cada fase da pesquisa?
Os estudos de caso de situações de organizações juvenis em cada país permitiram o delineamento de um "campo de juventude", isto é, uma dinâmica específica em que jovens se constroem como atores políticos que se (auto) reconhecessem a partir de problemas, preocupações e demandas de uma determinada geração. Os grupos focais serviram para que percebessemos que a "identidade juvenil" não é homogênea, cristalizada, excludente. A participação juvenil se dá de maneiras diferenciadas em um espaço público ampliado - e também por meios virtuais -, e sempre haverá a possibilidade de refazer as respostas sobre 'o que é ser jovem?'. Por meio da pesquisa quantitativa, pudemos perceber que existem temas comuns entre a maioria estatística dos jovens e a "minoria ativa": cabe agora ver como se aproximar mais.
Quais as maiores dificuldades encontradas durante as três etapas?
As dificuldades sempre foram de encontrar temas e formulações de perguntas que fizessem sentido para os jovens de cada país. Em todas as etapas, precisamos superar dificuldades de conteúdo e de linguagem para chegar à construção de roteiros de entrevistas, de roteiros para grupos focais, de perguntas desencadeadoras dos diálogos e do questionário para a pesquisa quantitativa. Valeu a pena.
Quais os principais destaques obtidos com a pesquisa em cada um dos países?
Para além da qualidade do conteúdo, creio ser importante destacar o diálogo entre jovens de diferentes grupos e movimentos no interior de cada país. A maioria não se conhecia entre si e o projeto proporcionou um alargamento de visão e incentivou uma predisposição ao diálogo.
Poderia fazer uma breve análise dos resultados do grupo de diálogo regional?
O diálogo regional demonstrou que é possível identificar questões comuns aos jovens dos seis países. Esta agenda comum não está dada - automaticamente - por fatores econômicos ou identidades ideológicas. A agenda será comum somente se não deixar de considerar as desigualdades e as diversidades que existem no interior de cada país e entre os países. Por isso, cada demanda que compõe a agenda tem modulações de acordo com as condições de vida de jovens rurais e urbanos, segmentados por preconceitos de raça, etnia, relações de gênero, orientação sexual, local de moradia. É uma agenda que tem que ser negociada, construída, pactuada por meio de diálogos como aqueles que fizemos. No diálogo regional não colocamos os desacordos "debaixo do tapete". Ao contrário, explicitamos divergências de entendimento, de avaliação de conjunturas nacionais, de estratégias frente aos governos. E, nesse contexto de exercício de debate democrático, três conclusões me chamaram a atenção: necessidade de reconhecimento de diferentes tipos de participação juvenil (formais e informais); necessidade de ampliar a participação, chegando mais perto dos jovens "não organizados" em coletivos juvenis e importância de considerar o pessoal, o afetivo e o individual nos espaços de lutas coletivas.
Você acredita que os resultados da pesquisa atenderam aos objetivos propostos?
Certamente. Produzimos conhecimento novo e contribuímos para a ampliação do compromisso político com as demandas dos jovens do século 21 na América do Sul. Não podemos dizer que somente nosso trabalho está tendo influencia no fortalecimento dessa agenda, outros atores políticos e estudiosos também contribuem. Mas podemos dizer que fizemos uma inédita e eficaz combinação entre: instituições respeitadas nacionalmente /pesquisa em rede sul americana; técnicas de pesquisa qualitativas/ quantitativas; diálogos nacionais /diálogo regional; incidência nos movimentos e na sociedade civil/ presença nos espaços governamentais.
Como a pesquisa pode contribuir para ajudar a garantir os direitos dos jovens?
Não podemos ser ingênuos. Os obstáculos para a garantia dos direitos dos jovens são de diversas ordens. Falta de vontade política, política econômica excludente, sistema escolar defasado, dinâmica do mercado de trabalho e crise internacional são fatores que impedem a concretização dos direitos dos jovens. Mas também acreditamos que o reconhecimento de suas demandas no espaço público é um passo muito importante. Nesse sentido, a pesquisa está dando uma significativa contribuição.
E para a integração sul-americana?
Embora seja importante para juventudes partidárias, para jovens que militam na área da agricultura familiar, para jovens mulheres etc., esse tema ainda não está muito disseminado entre jovens. Porém, no grupo de diálogo regional, eles propuseram um caminho "circular" entre o local, o nacional e o regional. Ou seja, perceberam que, nos dias de hoje, essas dimensões podem se fortalecer mutuamente.
Existe previsão de continuidade?
Existe muita disposição e vontade. Estamos buscando apoios para concretizar ideias de consolidar a rede que construímos e também ampliar o espectro da investigação.
Fonte: Juventude.gov.br
|
|
|
Questionário sobre prioridades e problemas dos jovens no Mercosul
|
Como parte do Informe Subregional de Desenvolvimento Humano, Jovens e Desenvolvimento Humano no Mercosul, que será lançado em setembro, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) está solicitando aos líderes juvenis que respondam a um breve questionário sobre as prioridades e os problemas dos jovens no Mercosul.
A participação dos jovens vai contribuir para que o Informe traduza com fidelidade as expectativas desse público. São doze perguntas e o colaborador deve escolher as respostas que mais se aproximem de suas idéias. Outras informações sobre o projeto podem ser obtidas pelo site www.desarollohumano.org
Fonte: Juventude.gov.br
|
|
|
|
 |
|
Pesquisa dá configurações ao desemprego e mostra que jovem encara a questão com otimismo
|
Um estudo apresentado como tese de doutorado na Unicamp, em 9 de junho último, pela pesquisadora em ciências sociais Marineide Maria Silva, considera os recortes geracional, de gênero e de escolaridade/qualificação insuficientes para descrever o desempregado dos dias de hoje. Por isso, apoiada em estratégias identitárias preconizadas por um conceituado sociólogo estudioso do tema, o francês Claude Dubar, a pesquisadora construiu quatro categorias de identidade do desempregado:
1 - O sobrevivente Sujeito que foi pobre a vida inteira e, assim como os pais, começou a trabalhar muito cedo, sem poder estudar e se especializar. Sabe que não tem chance no mercado, mas não está preocupado com a qualificação e sim em sobreviver. Não sente vergonha da condição de desempregado; no fundo, sente orgulho por manter-se vivo. Sua identidade não repousa no emprego, mas na índole de batalhador na vida.
2 - O esperançoso É tão pobre quanto o sobrevivente, com uma diferença: tem pais que construíram uma trajetória ascendente, como de porteiro a zelador e supervisor. É um filho que continua na linha da pobreza, quase não possui qualificação, mas alimenta a esperança de repetir a trajetória de ascensão dos pais. Como nem vaga de porteiro consegue, sofre com o desemprego.
3 - O apreensivo É aquele que mais sofre entre os desempregados. Seus pais ascenderam economicamente pelo trabalho, deram-lhe qualificação a ainda assim não consegue seguir na mesma linha. Para as agências, é o sujeito com potencial, mas preso ao conceito do passado, buscando o emprego seguro que não mais existe. É apreensivo porque diante do novo discurso do emprego temporário e flexível disponível no mercado, herdou a identidade de ascensão pelo trabalho e não consegue se desprender da socialização recebida dos pais.
4 - O otimista Trata-se principalmente do jovem, com qualificação ou não, que mergulhou neste novo universo do trabalho frágil e instável. Vê o desemprego como um período para rever valores. Para ele, a trajetória dos pais é de quem nunca obteve sucesso com o trabalho e passou a vida na mesma empresa, executando a mesma tarefa, até se aposentar – e ele quer uma trajetória oposta. Perguntado sobre a condição de desempregado, responde que está buscando uma boa oportunidade, ainda que a busca já dure dois anos.
“Mosaico do desemprego”
É sob esse título que Marineide Maria Silva sintetiza o conjunto de informações que colheu sobre o fenômeno do desemprego, principalmente junto aos próprios desempregados. “A estatística trabalha com dados do desemprego como uma categoria mais uniforme. Minha pesquisa de campo revelou um verdadeiro mosaico de significados e vivências que o fenômeno suscita. É impossível afirmar que o desemprego ‘é isto’; é preciso perguntar: o que é o desemprego para quem vive a situação?”.
Marineide é de Florianópolis e, no percurso até o trabalho, já tinha atentado para o aumento do número de andarilhos que se esgueiravam pela praça à espera do sopão. Há alguns anos, prestou concurso para a cadeira de sociologia na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), como diz, em busca do seu “emprego seguro”. Daí, o fato de as 57 entrevistas que embasam a pesquisa, com muitas horas de gravação e observações, terem sido realizadas na urbana Salvador e em Vitória da Conquista como contraponto regional.
Para compor o mosaico, a pesquisadora promoveu recortes no rol de desempregados: geracional (jovens e adultos), gênero e escolaridade/qualificação. Fez as entrevistas nas agências de intermediação de mão-de-obra, como a Setre (Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e do Esporte da Bahia), vinculada ao Sine (Sistema Nacional de Emprego). Também ouviu funcionários das agências e integrantes do Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD).
Para além dos dados oficiais
A pesquisadora justifica que a maneira como os indivíduos compreendem o desemprego, com todas as tensões envolvidas, fornece informações sobre o mundo do trabalho e a oportunidade de interpretar suas novas configurações. “Por isso mesmo, os entrevistados foram escolhidos a partir daquele que se considera desempregado, mesmo que não seja assim enquadrado pelos critérios oficiais. Acho que essa é a riqueza da pesquisa, que procura entender o desemprego para além dos dados oficiais, buscando a compreensão subjetiva de quem vive essa condição”.
De acordo com Marineide Silva, até o início da década de 1980, havia um ciclo emprego-desemprego-emprego e o sujeito demitido tinha perspectiva de retornar ao mercado, preservando sua identidade de trabalhador mesmo depois de meses de inatividade. “A partir dos anos 90, esse ciclo foi rompido, e esse retorno ficou cada vez mais difícil e incerto”.
A autora da tese lembra que, de maneira geral, entende-se que o desempregado se considera um alijado da sociedade, que vive uma experiência dolorosa, carregada de culpa e vergonha, por conta do sentimento de improdutividade. Porém, em sua opinião, a vivência do desemprego não pode ser traduzida como homogênea. “Uma generalização, por exemplo, é de que o desemprego é sofrido. Com a pesquisa, cheguei à conclusão de que sofrimento não é igual para todos”.
Conceito de trabalho
A cientista social afirma que o sofrimento subjetivo desencadeado pelo desemprego liga-se diretamente à forma como os indivíduos apreenderam o trabalho, à trajetória familiar que tiveram (sobretudo do pai), aos projetos de futuro e aos investimentos familiares em seu processo de escolarização e profissionalização. “Se a vivência do desemprego é dolorosa para aqueles que foram socializados com a idéia do trabalho como forma de inclusão e ascensão social, o mesmo não acontece com quem nunca visualizou essa possibilidade”.
Esta constatação de Marineide Silva vem do recorte referente à escolaridade e qualificação, no qual as entrevistas contrariaram o que imaginava. “Quanto mais escolarizado e qualificado, mais vergonha o desempregado tem da sua situação. Minha interpretação é de que ele contava com suporte financeiro maior e teve quebrada sua trajetória de vida. Como manter um padrão próximo daquele que gozava? O desemprego é mais sofrido para esse sujeito”.
Por outro lado, a pesquisadora explica que o pobre (normalmente não escolarizado e não qualificado) teve toda a sua trajetória marcada por miséria e sofrimento. “Ele sempre esteve na viração (o bico), na precariedade, assim como seus pais. Não está procurando um emprego, mas caçando a sobrevivência, que se vier será com outro trabalho precário. O desemprego, nesse caso, não tem o que agravar, pois sua vida é tocada praticamente sem renda”.
Recortes
Dentre os mosaicos que construíram a pesquisa, a autora vê como significativo o que contrapõe jovens e adultos. “Os adultos foram socializados em outro mundo do trabalho, onde havia mais emprego e a expectativa de absorção pelo mercado desde que estivessem dispostos. Para eles, o desemprego é um peso, pois imaginavam uma trajetória igual à dos pais que, mesmo tendo estudado pouco, conseguiram um emprego que durou a vida toda”.
Os mais jovens, segundo Marineide Silva, já quebraram este elo com o mundo anterior, transformado pelo processo de globalização, pela reestruturação produtiva e pelo discurso da empregabilidade. “Os jovens mergulharam na nova cultura do trabalho, com os empregos temporários, flexíveis e os estágios. Utilizam inclusive outro jargão: não estão procurando emprego, mas buscando experiência. Ao invés de sofrimento, o desemprego é visto como uma oportunidade de rever seus conceitos”.
O desemprego é considerado mais sofrido para os homens, desde que a mulher não seja chefe de família. Entretanto, a pesquisadora ressalta um aspecto curioso em relação a gênero. “O homem assume a condição de desempregado e, em casa, fica ansioso, deprimido, começa a beber. Já a mulher vive um dilema entre reassumir as ocupações do lar e procurar uma atividade correlata para prover algum sustento, como vender doces, salgados e bijuterias. Isto, mesmo entre as mulheres mais qualificadas”.
Igualmente curioso, acrescenta a autora, é a percepção do entrevistado quanto às causas do seu desemprego e dos outros. “Quando falam de si, o desemprego se deu por motivos externos, como reestruturação produtiva ou fechamento da empresa. Quanto ao outro, foi por escolhas erradas ou falta de empenho e qualificação. Já dentro do Movimento de Trabalhadores Desempregados, o desemprego nunca é visto como um problema individual: culpam-se as empresas, as circunstâncias econômicas e a falta de oportunidades; não há qualquer sentimento de culpa ou vergonha por sua condição”.
Dualidade
Uma preocupação na tese de doutorado, elogiada pela banca e indicada para publicação, foi avaliar o atendimento nas agências de intermediação de mão-de-obra. “Vejo uma dualidade na forma como as agências institucionalizam o desemprego. Em um primeiro discurso, ele é visto como um problema individual do sujeito, que não atende aos requisitos mínimos do mercado. Por outro lado, diante da presença frequente do sujeito qualificado, mas que também não consegue emprego, os funcionários identificam um problema social”.
Marineide Silva acusa as empresas de se aproveitarem da crise no emprego para exagerar nas exigências, por vezes descumprindo a legislação trabalhista. “Constatei que o desemprego tem cor, idade e endereço, haja vista a exclusão de negros, mais velhos e moradores de bairros periféricos. Entre as exigências absurdas está a de ‘boa aparência’, cuja tradução é ‘não negros’. O limite de idade é de 35 anos, mesmo com boa escolaridade, e o candidato deve residir perto da empresa para evitar atrasos e o custo com vale transporte”.
A pesquisadora considera um tanto escusa a relação das agências de intermediação com essas empresas, ainda que atendentes e coordenadores reconheçam o exagero das exigências. “O critério da boa aparência, por exemplo, não pode constar no formulário, mas fica implícito: se a atendente não acatar, a empresa recusará o candidato e, consequentemente, a agência deixará de contabilizar uma colocação profissional – os recursos vindos do governo dependem das colocações efetivadas. Se o desemprego já é um monstro assustador, acaba se revestindo de mais perversidade”.
Fonte: Jornal da Unicamp/ Luiz Sugimoto
|
|
|
|
 |
|
SP: 42% das melhores escolas estaduais sofrem com violência
|
Quatro em cada dez escolas com melhor desempenho na rede pública de ensino de São Paulo já registraram casos de violência. No grupo das unidades com piores notas, a proporção é mais alta: seis em dez tiveram episódios violentos. Os números são resultado de uma avaliação do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) nas 5.300 unidades da rede, que abrigam cerca de 5,5 milhões de alunos.
“Não há dúvida de que há hoje uma invasão da violência externa nos muros das escolas”, diz o secretário de Educação adjunto, Guilherme Bueno. Ele admite que o estado ainda não conhece o problema com a devida precisão. “Então, uma das medidas no Sistema de Proteção Escolar que montamos foi criar um sistema de registro de ocorrências, que já está funcionando desde o dia 1º, para que possamos ter informações e estatísticas, dados confiáveis para entender e dimensionar a questão”, explica.
O pesquisador responsável pelo levantamento, Naercio Menezes Filho, cruzou dois grupos de informações obtidos no último Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp): as notas médias dos colégios no exame de avaliação com as respostas aos questionários aplicados a diretores das unidades, o que também faz parte do Saresp.
O estudo mostra que entre as notas médias de matemática de alunos de 8ª série de 366 escolas estaduais estão os 10% melhores e os 10% piores desempenhos. Os relatos de violência alcançaram 42% do grupo dos melhores, o que impressionou o pesquisador: “Esperava que não houvesse (violência nas melhores escolas)”, declarou Menezes Filho, que atribui à violência um impacto significativo na proficiência (competência escolar).
Os dados disponíveis no Saresp de 2008 permitiram ao pesquisador também dimensionar a abrangência de atos específicos. Em atos infracionais como roubo, depredações e pichações, algumas das mais cometidas por estudantes, metade dos colégios estaduais com melhores notas no exame estadual relatou problemas, porcentual que sobe para 76% no grupo com as piores notas.
Além da violência, Naercio Menezes Filho ainda cruzou outros indicadores considerados importantes para a melhora da qualidade do ensino na rede pública, como a fixação de diretores e professores nas unidades, a falta dos docentes e o acesso a computadores. Os colégios com melhores desempenhos têm profissionais da educação com mais tempo no cargo, professores que faltam menos e alunos com mais chances de acesso ao computador em casa.
Líder do sindicato dos professores (Apeoesp), Maria Izabel Noronha diz que a violência está ligada à perda de autoridade docente. “Tiraram a autoridade do professor. É necessária uma campanha para ele que volte a ser reconhecido”, sugere.
Fonte: O Estado de São Paulo
|
|
|
|
 |
|
Unesco lança cátedra em educação juvenil e de adultos
|
A Unesco no Brasil assinou acordo com a Universidade da Paraíba (UFPB), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) para o estabelecimento de sua mais nova parceria no programa de Cátedras da Organização: a Cátedra Unesco em Educação de Jovens e Adultos – UFPB/UFPE/UFRN.
Coordenada pelo Prof. Dr. Afonso Celso Scocuglia, do Centro de Educação da UFPB, a nova cátedra tem por objetivo promover e incentivar cursos, seminários, eventos científicos e atividades de pesquisa, ensino-aprendizagem, documentação e disseminação de informações na área da educação de jovens e adultos.
Centrado nos estudos de pós-graduação e na pesquisa, o programa Cátedras Unesco constitui o principal instrumento da organização para fomentar e facilitar a cooperação internacional no ensino superior.
O programa também favorece o estabelecimento de redes de universidades e outras formas de inter-relação entre instituições de ensino superior nos níveis inter-regional, regional e subregional.
No Brasil, a Unesco é responsável por 25 cátedras implementadas em conjunto com entidades de ensino superior.
Fonte: Unesco
|
|
|
Monthly Archive
Change Language
Friends
5987 views
|
 |